sábado, 23 de junho de 2012

E a Lua começou

O sol pôs-se sem o meu horizonte se aperceber. O olhar cansado nele não quis pender. Apenas a corrida da esferográfica sobre as linhas de papel pautado o levaram a ver o descer do sol e o erguer da noite.

A Lua subiu ao céu, dando lugar ao Sol. O ar quente não arrefeceu, a noite não amanheceu; apenas o céu escureceu numa tentativa de dar ao luar o destaque que este sempre mereceu.

Hoje as ruas parecem mais sombrias. Já não tenho a certeza do que vivo, já não sei o que posso planear. Até da Lua já pareço duvidar. Calo logo esta dúvida. Como posso eu dela duvidar? Todas as noites ela sobe ao céu, ilumina-o enquanto descanso, dá-me a paz com que adormeço e a calma com que, depois, desperto. Dizem-me que nem todas as noites a vejo, que nem todas as noites me é permitido vê-la. Mas e é por isso que ela deixa de lá estar, porque eu não a vejo? Ao menos a lua não ousa, não tenta, não quer!, desiludir-me. Garantiu-me isso, que todas as noites lá estaria, e só isso me dá. Se prometesse mais, talvez falhasse; se prometesse menos, talvez essa promessa nem honrasse.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

noite

Haverá procura?
A noite é o emblema do descanso. É a certeza de que o dia tem fim, é a esperança de que tudo passe como o dia corre.





O dia não corre, corrijo. O dia não corre, mas é como se houvesse uma pressa acesa e indefesa, a necessidade de uma certeza, clareza de que tudo acaba por passar. Se o dia perdeu expressão, então a noite é a certeza de que o dia não corre em vão, de que há um propósito para tudo acontecer, que os motivos não são vagos e não expressam o vazio que a vida (o coração?) garante ter.

A noite é como a mão que te é estendida. É um bónus da vida para que acredites que tudo tem saída. Se a noite surge como resolução do dia, surgirá o caminho que te alumia.
A tua alma será aquecida se permitires que a vida se cure. A dor que sentes será vencida se acreditares que não há nada que sempre dure.

Deixa-te seres o teu próprio artista. Deixa que o espírito resista ao impulso que a emoção avista. Deixa...